Reason code Mastercard 4853: o que é e como responder
O Mastercard 4853 reúne disputas não fraudulentas sobre entrega, qualidade, reembolso e cobrança. Veja quando é válido, as provas e os prazos.
O que é o código 4853 e quando ele se aplica
O código 4853, Cardholder DisputeÉ a categoria da Mastercard para disputas em que o portador participou da transação, mas contesta a entrega, o produto, o serviço, o reembolso ou a cobrança., reúne disputas não fraudulentas. O portador reconhece que participou da transação, mas afirma que o lojista não entregou o que foi combinado, cobrou de forma indevida ou deixou de fazer um reembolso. Se o portador nega ter participado, o caso é de fraude e deve seguir o 4837 ou, conforme a regra do chip, o 4870 ou o 4871.
Para abrir um 4853, todos estes requisitos gerais precisam estar presentes:
- O portador participou da transação. Essa é a fronteira entre o 4853 e os códigos de fraude.
- Pelo menos uma subcondição do 4853 foi cumprida. O emissor precisa indicar a alegação exata.
- O emissor tem o suporte exigido por essa subcondição. Na maioria dos casos, é uma carta, e-mail ou mensagem direta do portador, ou um Form 1221É o Dispute Resolution Form — Cardholder Dispute Chargeback. O emissor o preenche a partir de uma conversa com o portador para registrar a alegação e os requisitos da subcondição.. Algumas rotas abertas pelo próprio emissor, como a listagem prévia no Payment Cancellation Service, usam o registro da rede.
- A abertura respeita o prazo aplicável. O limite comum é de 120 dias corridos, mas o marco inicial e eventuais períodos de espera mudam conforme a subcondição.
Fonte dos requisitos gerais: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, capítulo “Cardholder Dispute Chargeback”, pp. 150 e 157–159 e 330–331.
O emissor escolhe uma destas subcondições, de acordo com o que o portador relatou:
- Produto ou serviço não como descrito ou defeituoso.
- Produto ou serviço não fornecido.
- Serviço de viagem ou entretenimento não fornecido ou não como descrito, com voucher do lojista.
- Operador de viagem que encerrou as atividades, apenas em transações intraeuropeias ou domésticas na Europa.
- Serviço de viagem ou entretenimento cancelado ou devolvido sem o reembolso devido.
- Item digital de até USD/EUR 25 sem os controles mínimos de compra.
- Reembolso não processado.
- Produto falsificado vendido como autêntico.
- Cobrança recorrente contestada pelo portador.
- Cobrança recorrente contestada pelo emissor após cancelamento já registrado.
- AddendumÉ uma cobrança separada feita pelo mesmo lojista depois de uma transação válida, como um valor adicional de hotel ou locadora. No 4853, a discussão é se o portador responde por esse valor..
- Cobrança de no-show de hotelÉ a cobrança de uma diária e dos impostos quando o hóspede não comparece e não cancela dentro da política informada pelo hotel..
- Transação que não foi concluída no dispositivo ou no site.
- Cancelamento de timeshare dentro da janela da Mastercard.
- Reembolso lançado como se fosse uma nova compra.
Não existe uma subcondição independente chamada “misrepresentation”. Uma promessa escrita, uma garantia, um prazo de entrega ou outro termo do contrato que o lojista não cumpriu entra em “produto ou serviço não como descrito ou defeituoso”.
Fonte das subcondições: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 150–152; seções das subcondições nas pp. 157, 177, 199, 217, 234, 254, 272, 293, 311, 330, 350, 368, 387, 404 e 421.
Quanto tempo cada parte tem no Mastercard 4853
1 bloco representa 10 dias corridos.
- EmissorAbrir o chargeback 4853A contagem começa quando a transação é liquidada ou processada pela Mastercard, conforme o sistema, salvo quando a subcondição prevê outro marco.Até 120 dias corridos
- AdquirenteEnviar a segunda apresentação com a defesaA contagem começa quando o chargeback é liquidado ou processado pela Mastercard, conforme o sistema.Até 45 dias corridos
- AdquirenteEnviar os documentos da segunda apresentação no MastercomA contagem começa quando a segunda apresentação que exige documentos é gerada.Até 8 dias corridos
- EmissorAbrir a pré-arbitragemA contagem começa quando a segunda apresentação do adquirente é liquidada ou processada pela Mastercard, conforme o sistema.Até 30 dias corridos
- AdquirenteAceitar ou recusar a pré-arbitragemA contagem começa quando a pré-arbitragem é enviada no Mastercom.Até 30 dias corridos
- EmissorLevar o caso à arbitragem da MastercardA contagem começa quando o adquirente recusa a pré-arbitragem.Até 15 dias corridos
Quem abre a disputa e o que acontece depois
O emissor, banco ou instituição que emitiu o cartão, abre o 4853 em nome do portador. Antes, confere se já existe um reembolso ligado à mesma compra por Trace ID ou TLIDSão identificadores que a Mastercard usa para ligar transações relacionadas. Aqui, permitem ao emissor reconhecer que um reembolso pertence à compra contestada.. Se o reembolso já se aplica à transação, o emissor não pode cobrar de novo esse valor pelo 4853.
Algumas subcondições acrescentam requisitos próprios. Em “não como descrito ou defeituoso”, todos estes fatos precisam ocorrer: o portador tentou resolver o problema com o lojista; o lojista recusou ajuste de preço, reparo, substituição ou reembolso; e, quando a disputa envolve mercadoria, o portador informou que ela estava disponível para devolução ou a entregou a uma autoridade. Depois disso, basta uma das alegações materiais: produto quebrado, produto ou serviço diferente da descrição, ou descumprimento dos termos do contrato.
Em “não fornecido”, se o lojista não informou uma data de entrega, o emissor espera 30 dias corridos da Data de LiquidaçãoÉ a data registrada pela Mastercard para a liquidação da transação. Ela funciona como dia zero para vários prazos do 4853.. A espera deixa de ser necessária quando o emissor já sabe que o lojista não vai entregar. Se havia uma data máxima prometida, a janela começa depois dela. Em “não como descrito ou defeituoso”, a abertura comum ocorre entre 15 e 120 dias. Serviços contínuos interrompidos e alguns cartões pré-pagos de lojista podem ter teto de 540 dias.
Fonte da abertura, das condições cumulativas e dos prazos: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 152, 157–160 e 177–181.
Depois da abertura, o adquirente, instituição que representa o lojista na rede Mastercard, pode enviar uma segunda apresentaçãoÉ a resposta formal do adquirente ao chargeback. Nela, o adquirente escolhe um fundamento permitido e envia os registros do lojista que enfrentam a alegação do portador. pelo MastercomÉ o sistema da Mastercard usado pelo emissor e pelo adquirente para enviar disputas, respostas e documentos do caso.. No Brasil, o prazo da bandeira é de 45 dias corridos da Data de Liquidação do chargeback. O adquirente ou processador pode pedir os documentos ao lojista antes.
Quando a segunda apresentação exige anexos, o adquirente deve colocá-los no Mastercom em até oito dias corridos da geração da resposta, ou dez dias no Maestro. O número completo do cartão não pode aparecer: apenas os quatro últimos dígitos ficam visíveis. Em uma disputa doméstica brasileira, os documentos podem estar em português ou inglês.
Fonte da segunda apresentação e dos documentos: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 154–156, 183–184, 191 e 257–258.
Se o emissor não aceitar a resposta, abre a pré-arbitragemÉ a etapa em que o emissor pede nova análise depois da segunda apresentação, antes de levar o caso para decisão da Mastercard.. Nas disputas Dual Message do 4853, essa etapa é obrigatória; em ATM e Maestro, é opcional. O emissor tem 30 dias e precisa apresentar uma nova manifestação do portador, datada depois da segunda apresentação e dirigida à defesa. O adquirente tem 30 dias para aceitar ou recusar. Se não agir, aceita automaticamente a responsabilidade. Depois de uma recusa, o emissor tem 15 dias para levar o caso à arbitragem da Mastercard.
Fonte da pré-arbitragem e da arbitragem: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 192–198.
Antes da defesa, confira se esta disputa é inválidaUma única condição comprovada basta para contestar a validade.
- O portador nega ter participado da transação. Isso é fraude, tratada pelo 4837 ou, na transferência de responsabilidade do chip, pelo 4870 ou 4871.
- Quando a subcondição exige a justificativa do portador, o emissor não tem uma carta, um e-mail ou uma mensagem direta dele, nem o Formulário de Resolução de Disputa — Cardholder Dispute (Form 1221) preenchido a partir de uma conversa com ele.
- Um reembolso já foi vinculado à compra contestada pelo Trace ID ou pelo Transaction Link Identifier (TLID).
- A transação é excluída do 4853: Payment ou Send; bomba de combustível automatizada (MCC 5542) fora da Europa; BPSP, salvo não lançamento ou reembolso não processado; parcela de saque; desembolso em dinheiro; conta Mastercard Commercial Payments (MAP); transação doméstica brasileira de MCC 9211; ou frete e manuseio não devolvidos por mero arrependimento.
- Em não como descrito ou defeituoso e em addendum, o portador não tentou resolver o caso com o lojista. A dispensa vale apenas para cliente corporativo com contrato e somente sobre o valor cobrado acima do contrato.
- Em não como descrito ou defeituoso, o lojista aceitou ajustar o preço, reparar, substituir ou reembolsar. A recusa do lojista é um requisito da disputa.
- Em não como descrito ou defeituoso envolvendo mercadoria, o portador não informou que o produto estava disponível para devolução ou retirada e também não o entregou a uma autoridade.
- O emissor abriu fora da janela da subcondição: por exemplo, não como descrito antes do mínimo de 15 dias; ou não fornecido antes da data máxima de entrega ou dos 30 dias de espera, quando nenhuma data foi combinada e não há certeza de que o lojista deixará de entregar.
Fonte:Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19/05/2026), capítulo Cardholder Dispute Chargeback (4853/53/4850/4854), pp. 150-160, 177-181 e 350
Como reduzir o risco de receber um 4853
As medidas abaixo vêm das próprias condições de defesa da Mastercard:
- Registre a entrega ou a execução. Guarde fotos no endereço indicado, comprovantes assinados, registros de retirada, uso de ingresso, prestação do serviço e entrega por QR code ou PIN.
- Fixe por escrito o que foi vendido. Recibo, nota fiscal, contrato, descrição, garantia e política de devolução criam a referência para mostrar que o produto ou serviço cumpriu a oferta.
- Documente reparos e substituições. Ligue cada solução à compra e, quando possível, obtenha a confirmação do portador de que recebeu o produto em boas condições.
- Implemente os três controles para itens digitais de até USD/EUR 25. A opção de bloquear compras precisa começar ativada; a sessão aberta após as credenciais não pode passar de 15 minutos; e o total precisa aparecer com as opções de confirmar ou cancelar antes da compra.
- Mostre a política de reembolso no momento da venda. Termos de reestocagem, crédito em loja ou ausência de reembolso só sustentam a defesa se o portador os conheceu antes de pagar.
- Separe os termos da recorrência. Informe frequência, forma de cancelamento e demais condições fora dos termos gerais, e guarde a aceitação do portador.
Fonte das medidas derivadas das condições de defesa: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 160, 183, 254–257, 272–277 e 311–315.
Evidências de defesa que o lojista precisa reunir
O lojista entrega os documentos ao adquirente, que responde no Mastercom. Primeiro, identifique a subcondição indicada no chargeback. Depois, escolha um fundamento de segunda apresentação que a Mastercard permite: a disputa é inválida; o lojista resolveu o problema; um reembolso anterior não foi considerado; a documentação do portador parece alterada; ou a prova do lojista rebate a alegação específica. Não misture documentos de rotas diferentes como se todos fossem obrigatórios.
Nas cinco situações mais comuns no e-commerce, a lógica é esta:
- Produto ou serviço não fornecido: basta uma prova adequada ao caso. Pode ser foto da entrega no endereço indicado, recibo de retirada ou entrega assinado, entrega e uso de QR code ou PIN, registro de ingresso usado, serviço prestado, depósito aplicado, saldo carregado ou entrega feita depois do chargeback. Um reembolso anterior é outra rota independente.
- Produto ou serviço não como descrito ou defeituoso: há duas rotas alternativas. O lojista pode provar que reparou ou substituiu o produto. Como alternativa, apresenta a descrição original no recibo, nota, contrato ou acordo e a documentação de que entregou conforme descrito, sem dano ou defeito. Não é preciso cumprir as duas rotas.
- Item digital de até USD/EUR 25: as três provas são obrigatórias. Os prints ou registros precisam mostrar, ao mesmo tempo, a opção ativada por padrão para bloquear compras digitais, a janela de no máximo 15 minutos e a tela com o total e as opções de confirmar ou cancelar. Se faltar uma, essa defesa não se completa.
- Reembolso não processado: basta uma de duas rotas. O lojista prova que já reembolsou ou mostra
que nenhum reembolso era devido pela política divulgada no momento da venda. Quando o reembolso
foi por outro meio, o adquirente inclui a prova e o ARDAcquirer Reference Data é a referência do registro enviado pelo adquirente. Aqui,
ela identifica o reembolso que resolve a cobrança contestada. no texto
CRED MMDDYY <ARD>do DE 72É o campo Data Record da mensagem enviada à Mastercard. Em certas defesas, ele leva o texto que identifica o reembolso e sua data.. - Cobrança recorrente contestada pelo portador: basta um fundamento comprovado. O lojista mostra que a cobrança era parcelada, não recorrente; que o portador descumpriu a regra de cancelamento do contrato; que continuou usando o serviço depois do cancelamento alegado; ou que recebeu e aceitou os termos da recorrência. Apenas dizer “não recebemos o cancelamento” não é defesa válida.
Fonte das cinco rotas e de sua cardinalidade: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 160, 183, 185–187, 257, 272–277 e 313–315.
Para as demais subcondições, use a prova própria do caso:
- Produto falsificado: documentação de fabricante, distribuidor autorizado, procedência ou autenticidade que prove que o item específico era genuíno.
- Addendum: as duas ligações são obrigatórias. Prove que o portador participou da transação original e que responde pela cobrança adicional.
- No-show de hotel: registros de que a cobrança era válida, a política e o valor foram informados e não houve cancelamento ou uso que derrube a taxa, conforme a alegação recebida.
- Transação não concluída: registro de que a transação terminou e confirmação enviada ao portador, ou prova de que ele recebeu o produto ou usou o serviço.
- Timeshare: contrato e pedido de cancelamento mostrando que o portador cancelou depois da janela da Mastercard: 14 dias da data do acordo, ou 90 dias em transações intra ou intereuropeias.
- Recorrência contestada pelo emissor: um dos fundamentos aceitos para recorrência, como prova de que a cobrança era parcelada, de que o cancelamento descumpriu o contrato, de que o serviço continuou em uso ou de que os termos foram divulgados e aceitos. Quando a alegação se baseia no PCSPayment Cancellation Service é o serviço da Mastercard em que o emissor registra uma conta para interromper cobranças recorrentes futuras., o adquirente pode provar que a conta não estava listada antes da cobrança contestada.
Fonte das demais defesas: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, pp. 295–296, 330–335, 350–353, 368–372, 387–390 e 404–407.
Perguntas frequentes
Em que o Mastercard 4853 difere do 4837?
No 4853, o portador participou da transação, mas contesta a entrega, a qualidade, o reembolso ou outra condição da cobrança. Se ele nega ter participado, o caso é de fraude e deve seguir o 4837 ou, quando houver transferência de responsabilidade pelo chip, o 4870 ou o 4871.
A Mastercard tem uma subcondição própria para informação incorreta (misrepresentation)?
Não. Quando o lojista não cumpre uma promessa escrita ou um termo do contrato, o caso entra em Goods or Services Not as Described or Defective, uma das subcondições do 4853.
Qual é o prazo para responder a um 4853 no Brasil?
O adquirente tem 45 dias corridos, contados da Data de Liquidação do chargeback, para enviar a segunda apresentação. Se ela exigir documentos, o upload no Mastercom deve ocorrer em até 8 dias corridos da geração da segunda apresentação, ou 10 dias no Maestro. O adquirente ou processador pode pedir os arquivos ao lojista antes desses limites.
Quais provas são exigidas para itens digitais de até USD/EUR 25?
As três proteções mínimas precisam ser comprovadas juntas: opção ativada por padrão para desabilitar compras digitais, janela de conta aberta de no máximo 15 minutos após a entrada das credenciais e tela com o valor total e as opções de confirmar ou cancelar antes da conclusão. Se faltar uma delas, essa defesa não se completa.
O que prova a entrega em uma disputa de produto ou serviço não fornecido?
Basta uma prova que responda ao que o portador alegou, como foto da entrega no endereço indicado, recibo de retirada ou entrega assinado, registro de entrega e uso por QR code ou PIN, comprovação de que o ingresso foi usado ou de que o serviço foi prestado. Um reembolso anterior também é uma rota independente de defesa.
O dossiê desta página cobre todo o 4853?
A página identifica todas as subcondições do 4853, mas o dossiê estruturado destaca cinco rotas frequentes no e-commerce: não fornecido, não como descrito ou defeituoso, item digital de até USD/EUR 25, reembolso não processado e recorrência contestada pelo portador. As demais exigem a prova específica indicada no texto.
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