Reason code Mastercard 4870: o que significa e como se defender
O código 4870 da Mastercard trata de fraude com cartão falsificado quando o chip não é lido ou o DE 55 não é enviado. Veja requisitos, defesa e prazos.
O que significa o código 4870 da Mastercard
O código 4870, “Chip Liability Shift—Counterfeit Fraud”, é aberto quando o portador nega ter autorizado uma transação de cartão presenteTransação feita com o cartão físico em uma maquininha ou caixa eletrônico, em oposição a uma compra online ou por telefone. e a fraude foi com um cartão falsificado. O código aplica a transferência de responsabilidade EMVEMV vem de Europay, Mastercard e Visa. É o padrão técnico dos cartões com chip e, neste código, ajuda a definir quem assume a perda. quando a transação não registra uma leitura válida do chip.
Para que o emissor possa abrir o 4870, todos estes requisitos precisam estar presentes:
- O portador nega a autorização. Ele declara que não autorizou a transação.
- A fraude ocorreu com falha na leitura do chip. Pelo menos uma destas duas situações precisa
ter ocorrido:
- o cartão falsificado foi usado em uma maquininha ou caixa eletrônico sem capacidade de ler chip; ou
- a transação passou por um terminal híbridoÉ uma maquininha ou caixa eletrônico capaz de ler tanto o chip quanto a tarja magnética do cartão. No 4870, essa capacidade não prova que o chip foi realmente lido., mas o DE 55Data Element 55 é o campo que reúne os dados gerados pelo chip. Ele permite à Mastercard verificar como o cartão foi lido e como o portador foi autenticado. não estava na mensagem de autorização ou de transação financeira.
- O cartão verdadeiro tinha chip EMV. O emissor havia fornecido ao portador um cartão com chip válido.
- A fraude foi reportada antes do chargeback. O emissor registrou a transação como contrafação no Fraud and Loss DatabaseBase da Mastercard em que o emissor registra transações fraudulentas. No 4870, o reporte como contrafação precisa anteceder o chargeback.. A Mastercard aceita a diferença de até três dias necessária ao processamento desse reporte.
Fonte dos requisitos: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Issuer Chargeback”, pp. 584–586.
Uma leitura válida do chip teria revelado o cartão falsificado. Quando todos os requisitos acima se confirmam, a falta dessa leitura transfere a perda para o adquirente, empresa que conecta o lojista à rede Mastercard, e pode chegar ao lojista.
O 4870 não vale para compra online, por telefone, por correio ou cobrança recorrente. Esses casos seguem para 4837 ou 4863. Fraude com cartão perdido, roubado ou nunca recebido sob a regra do chip segue, em geral, para 4871. No Brasil, uma transação com Cartão Agro também não se qualifica para o 4870.
A disputa também é inválida se houve uma transação de chip válida com os dados exigidos, se um fallback técnicoOcorre quando a maquininha tenta ler o chip, não consegue e conclui a transação por outra tecnologia. Para servir como defesa, o fallback precisa estar identificado nos registros da transação. foi identificado corretamente ou se o código de serviçoCódigo gravado nos dados da tarja e enviado nos campos DE 35 ou DE 45. O primeiro dígito 2 ou 6 indica à Mastercard que o cartão verdadeiro tinha chip. mostra que o cartão não era um cartão com chip. Transações por aproximação corretamente identificadas, DSRPDigital Secure Remote Payment é uma transação online autenticada que recebe tratamento próprio de responsabilidade na Mastercard. Por isso, ela fica fora do 4870. e pagamentos por QR apresentados pelo consumidor também ficam fora. Cada uma dessas situações basta, por si só, para afastar o código.
Fonte das exclusões: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Transactions ineligible for chargeback”, pp. 580–581.
Quanto tempo cada parte tem no Mastercard 4870
1 bloco representa 10 dias corridos.
- EmissorAbrir o chargeback 4870A contagem começa quando a transação é processada pela Mastercard.Até 120 dias corridos
- AdquirenteEnviar a segunda apresentaçãoA contagem começa quando o chargeback é liquidado.Até 45 dias corridos
- AdquirenteEnviar a documentação de suporte no Mastercom (10 dias para Maestro)A contagem começa quando a segunda apresentação é gerada.Até 8 dias corridos
- AdquirenteResponder à pré-arbitragem do emissorA contagem começa quando o emissor envia o caso de pré-arbitragem.Até 30 dias corridos
- EmissorPedir que a Mastercard decida o casoA contagem começa quando a segunda apresentação do adquirente é liquidada.Até 45 dias corridos
Quem abre a disputa e o que acontece depois
O emissor abre o 4870 no MastercomSistema da Mastercard em que o emissor abre o chargeback e o adquirente apresenta a resposta e os documentos do caso.. O lojista não responde diretamente à Mastercard.
Antes de abrir a disputa, o emissor precisa reunir um destes conjuntos de documentos:
- Declaração completa do portador. Carta, e-mail, mensagem ou Formulário 0412Formulário de Resolução de Disputa por Fraude da Mastercard. Ele registra a conversa em que o portador ou representante contesta a transação. informando as duas coisas: o portador não autorizou a transação e mantinha a posse e o controle de todos os cartões válidos da conta.
- Declaração mais certificação. A declaração de que o portador não autorizou a transação e uma carta do emissor certificando que houve contrafação.
- Declaração da empresa ou do órgão público. Esse caminho só vale para cartão corporativo quando a organização não emprega mais o portador autorizado.
Se usar o Formulário 0412, o emissor também precisa fechar e bloquear a conta antes do chargeback. A inclusão no arquivo de contingência da Mastercard com resposta “capture card” tem exceções, inclusive para determinados cartões emitidos na América Latina e no Caribe.
Fonte dos documentos e controles do emissor: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Supporting documents”, pp. 585–586.
Depois da abertura, o fluxo segue esta ordem:
- O emissor faz o primeiro chargeback. O valor é devolvido ao emissor e o adquirente analisa o caso.
- O adquirente envia a segunda apresentaçãoResposta formal do adquirente no Mastercom para demonstrar que o chargeback deve ser revertido. Ela usa um fundamento previsto pela Mastercard e os registros correspondentes.. O prazo padrão é de 45 dias corridos a partir da liquidação do chargeback. O lojista entrega os registros ao adquirente, que protocola a resposta.
- O emissor pode abrir uma pré-arbitragemEtapa opcional em que o emissor pede a revisão da segunda apresentação antes da decisão da Mastercard.. Essa etapa é opcional na regra padrão, e a Mastercard recomenda seguir diretamente para a arbitragem. Se houver pré-arbitragem, o adquirente tem 30 dias corridos para aceitar, recusar ou não agir; o silêncio transfere a responsabilidade para ele.
- O emissor pode levar o caso à arbitragem. O prazo padrão é de 45 dias corridos da liquidação da segunda apresentação, tenha ocorrido pré-arbitragem ou não. A Mastercard decide pelo que foi documentado, e a parte vencida paga as custas.
Fonte do fluxo e dos prazos: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Acquirer Second Presentment”, pp. 587–599; “Issuer Submission of a Pre-arbitration Case”, pp. 600–604; e “Issuer Submission of an Arbitration Case”, pp. 605–606.
Antes da defesa, confira se esta disputa é inválidaUma única condição comprovada basta para contestar a validade.
- A transação de chip foi válida: o DE 55 (dados do chip) foi transmitido na autorização, quando houve autorização online, e na mensagem de primeira apresentação/1240.
- Houve fallback técnico devidamente identificado (DE 22 subcampo 1 igual a 01, 79 ou 80) — exceto em ATM intra ou intereuropeu, onde o emissor mantém direito de compliance por contrafação.
- O primeiro dígito do código de serviço no DE 35 ou no DE 45 não é 2 nem 6: o cartão não era um cartão com chip EMV, ou era uma contrafação com código de serviço alterado — risco do próprio emissor.
- A transação foi contactless devidamente identificada e autorizada, DSRP ou Mastercard Consumer-Presented QR.
- A transação foi por correio, telefone, e-commerce ou recorrente — esses casos vão para o 4837 ou o 4863.
- A transação envolveu Commercial Payments Account (MAP), Biometric Card com autenticação biométrica bem-sucedida ou Cartão Agro no Brasil (MLF).
- A fraude foi de cartão perdido, roubado ou nunca recebido, em cartão com chip que prefere PIN usado em terminal sem capacidade de PIN — esse caso é do 4871.
- O contador de fraude FNS da conta passa de 35, ou o emissor aprovou a transação depois de dois ou mais chargebacks de fraude (4837, 4870 ou 4871) anteriores na mesma conta.
- A transação não foi reportada como contrafação ao Fraud and Loss Database antes do chargeback.
Fonte:Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026 — "Transactions ineligible for chargeback", pp. 580–581
Como reduzir o risco desse código
O lojista precisa tratar a leitura do chip e o envio dos dados como partes do mesmo processo:
- Leia o chip sempre que o cartão tiver chip. Uma maquininha compatível não basta se a venda termina pela tarja ou pela digitação sem uma tentativa válida de leitura.
- Confirme o envio do DE 55. Em uma autorização online, os dados do chip precisam constar no pedido de autorização e na mensagem de primeira apresentação/1240Registro de processamento que o adquirente envia depois da transação para apresentá-la à Mastercard e calcular a liquidação.. Se a transação não exigiu autorização online, o adquirente precisa conseguir recuperar o DE 55 completo para a defesa.
- Registre corretamente o fallback. Quando a maquininha tenta o chip e muda de tecnologia, a autorização e a primeira apresentação precisam conservar os indicadores desse evento. Digitar os dados sem tentar o chip não cria essa exceção.
- Guarde os registros por transação. Peça ao adquirente ou processador acesso aos dados do terminal, da autorização, do chip e da liquidação. Sem esses registros, o lojista não consegue provar qual caminho de defesa se aplica.
Fonte da leitura, transmissão e exceção de fallback: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Transactions ineligible for chargeback”, p. 580, e “Acquirer Second Presentment”, pp. 587–594.
Evidências de defesa que o lojista precisa reunir
O lojista entrega os documentos ao adquirente, que faz a segunda apresentação no Mastercom. A resposta deve usar exatamente um fundamento principal. Não é um checklist para somar argumentos. Depois de escolher o fundamento, reúna todos os itens obrigatórios dentro dele:
- O DE 55 já estava na primeira apresentação. São necessários o DE 55 na mensagem 1240 e um resultado de CVMCardholder Verification Method é o método usado para verificar o portador, como senha. O resultado fica nos dados do chip e mostra como a transação foi autenticada. que comprove uma destas três alternativas: chip com PIN, chip em cartão que não prefere PIN ou fallback de CVM. A resposta usa o texto “DE 55 PREVIOUSLY PROVIDED”.
- A transação com chip não exigia autorização online e o DE 55 não estava na primeira apresentação. As duas provas são obrigatórias: DE 55 completo, com seus subelementos, enviado agora e registro de que não houve pedido de autorização online. A resposta usa “CHIP TRANSACTION”.
- O chip foi autorizado offline. Todos os elementos precisam coexistir: o chip foi lido, a transação não exigiu autorização online e o DE 55 estava na primeira apresentação. A resposta usa o código 2700.
- O lojista já fez o reembolso. O registro precisa trazer a data e o ARDAcquirer Reference Data é a referência criada no processamento para localizar uma transação específica. no campo DE 72. Um reembolso parcial resolve apenas o valor creditado; o emissor pode continuar a disputa pelo saldo sem outro remédio válido. Essa rota não vale para transação em caixa eletrônico.
- A transferência de responsabilidade não se aplica. Basta uma condição comprovada: código de serviço que não começa por 2 nem 6, fallback técnico identificado, terminal híbrido que efetivamente processou ou tentou o chip, região sem transferência aplicável, ausência do reporte ao Fraud and Loss Database, contador de fraude acima de 35 ou aprovação depois de dois chargebacks de fraude anteriores. O simples fato de a maquininha ser híbrida não resolve o caso: se o DE 55 era exigido e não foi enviado, a condição do emissor continua presente.
- O chargeback tem um defeito processual. Basta provar um defeito, como abertura depois do prazo, duplicidade, divergência entre os identificadores da disputa e da primeira apresentação, ou documentação ausente, ilegível, incompleta ou ligada a outro caso.
Fonte dos fundamentos e da lógica de cada um: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Acquirer Second Presentment”, pp. 587–599.
Na documentação, o PANPrimary Account Number é o número principal da conta do cartão. Nos documentos do Mastercom, ele deve aparecer mascarado, com somente os quatro últimos dígitos visíveis. completo precisa ser ocultado. Os documentos devem entrar no Mastercom em até oito dias corridos da geração da segunda apresentação, ou dez dias para Maestro. Uma prova exigida na segunda apresentação não pode ser guardada para a pré-arbitragem ou a arbitragem.
Se nenhuma rota estiver comprovada, o adquirente e o lojista devem aceitar a responsabilidade ou reembolsar, em vez de apresentar uma defesa sem fundamento.
Fonte das regras de documentação: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, 19/05/2026, “Supporting Documentation”, pp. 583–584, e “Acquirer Response to a Pre-arbitration Case” e “Issuer Submission of an Arbitration Case”, pp. 604–606.
Perguntas frequentes
Quando a Mastercard usa o código de chargeback 4870?
O 4870 cobre a contrafação na transferência de responsabilidade do chip EMV ("Chip Liability Shift—Counterfeit Fraud"). Todos os requisitos precisam estar presentes: o portador nega a autorização, o cartão verdadeiro tinha chip EMV, a fraude foi reportada como contrafação antes do chargeback e ocorreu uma entre duas falhas. O cartão falsificado foi usado em terminal POS ou ATM não híbrido, ou a transação passou por um terminal híbrido sem o DE 55 na mensagem de autorização ou de transação financeira.
O que muda entre os códigos 4870 e 4871?
Os dois códigos tratam da transferência de responsabilidade do chip, mas cobrem fraudes diferentes. O 4870 vale para contrafação, com cartão clonado e código de serviço não alterado. O 4871 vale para cartão perdido, roubado ou nunca recebido, usado em cartão com chip que prefere PIN em terminal sem capacidade de PIN. O próprio capítulo do 4871 no guia da Mastercard direciona a contrafação com código de serviço não alterado para o 4870.
O código 4870 vale para uma compra online?
Não. Transações por correio, telefone, e-commerce e cobranças recorrentes ficam fora do 4870. A fraude sem cartão presente segue para os códigos 4837 e 4863. O 4870 alcança apenas transações em POS ou ATM com cartão presente.
Que defesa o lojista pode apresentar contra um chargeback 4870?
O lojista se defende pelo adquirente, com uma segunda apresentação no Mastercom em até 45 dias corridos da liquidação do chargeback. O adquirente cita um único fundamento aplicável: transação com chip válida (DE 55 na primeira apresentação), chip autorizado offline, reembolso já emitido ou chargeback inválido. A invalidade pode decorrer de fallback técnico, cartão sem chip EMV, ausência de transferência de responsabilidade aplicável, ausência de reporte ao Fraud and Loss Database, contador de fraude, prazo ou duplicidade.
Quando um fallback técnico invalida o chargeback 4870?
O fallback técnico invalida o chargeback quando está devidamente identificado: DE 22 subcampo 1 igual a 01, 79 ou 80. Nesse caso, o emissor autorizou por conta e risco e a transferência de responsabilidade não se aplica (código 2008). A exceção está nas transações em ATM intra ou intereuropeu, nas quais o emissor mantém um direito de compliance por contrafação.
O emissor deve reportar a fraude antes de abrir um 4870?
Sim. O emissor precisa reportar a transação como contrafação ao Fraud and Loss Database antes do chargeback, com tolerância de três dias. Sem esse reporte, o adquirente pode derrubar a disputa na segunda apresentação com evidência do arquivo de perdas.
Veja todos os códigos de chargeback Mastercard ou volte para o Conhecimento.