Analisar meus chargebacks

Reason code Mastercard 4871: o que significa e como se defender

O 4871 da Mastercard é a disputa de fraude com cartão perdido, roubado ou não recebido usado sem chip e PIN. Veja prazos, defesa e evidências.

O que é o código 4871 e quando ele se aplica

O código 4871, “Chip Liability Shift—Lost/Stolen/Never Received Issue (NRI) Fraud”, trata de uma fraude feita com um cartão legítimo que foi perdido, roubado ou nunca chegou ao portador. A compra precisa ser uma transação com cartão presenteÉ uma compra feita com o cartão físico no ponto de venda, em oposição a uma compra online, por telefone ou por correio.. O portador nega ter autorizado a compra e informa que já não tinha, ou nunca teve, o cartão em mãos.

Para que o 4871 seja válido, todos os requisitos abaixo precisam estar presentes:

  1. O portador negou a compra e a posse do cartão. Ele informou que não autorizou a transação e que o cartão estava perdido, roubado ou nunca havia sido recebido.
  2. O instrumento de pagamento era legítimo e priorizava senha. Na compra por contato, ele era um cartão híbrido com preferência por PINÉ um cartão com chip e tarja cuja lista de verificação coloca a senha, o PIN, antes da assinatura.. Na variante por aproximação, o cartão ou dispositivo também precisava priorizar o PIN ou a verificação feita no próprio dispositivo.
  3. As duas instituições participavam da regra. Tanto o emissor, banco que emitiu o cartão, quanto o adquirente, empresa responsável pelo lojista na rede Mastercard, estavam em um país ou corredor coberto pela transferência de responsabilidade EMVEMV é o padrão técnico usado pelos cartões com chip. A regra de transferência de responsabilidade define quem assume a perda quando chip e senha não são processados como previsto. por chip e PIN.
  4. O terminal impediu o uso correto de chip e PIN. Pelo menos uma das situações técnicas enumeradas a seguir ocorreu.
  5. A fraude foi reportada no prazo. A transação foi registrada como perda, roubo ou cartão não recebido no Fraud and Loss DatabaseÉ a base da Mastercard em que o emissor reporta transações fraudulentas. No 4871, o reporte precisa ficar a até três dias da data do chargeback., dentro da tolerância de três dias da data do chargeback.
  6. O chargeback foi aberto no prazo. O emissor respeitou os 120 dias corridos contados do Central Site Business DateÉ a data central de processamento registrada pela Mastercard na mensagem GCMS. Ela conta como dia zero do prazo. da transação.
  7. Nenhuma exclusão se aplicava. A transação não podia pertencer a uma das categorias que a Mastercard declara inelegíveis para o 4871.

No quarto requisito, basta uma destas situações:

  1. A maquininha lia apenas a tarja. O terminal não conseguia processar o chip.
  2. A maquininha lia chip, mas não conseguia verificar o PIN. Fora da Malásia doméstica, ela precisava conseguir verificar ao menos o PIN offline.
  3. A maquininha conseguia verificar o PIN, mas não enviou os dados do chip. O DE 55É o campo da mensagem que reúne os dados técnicos gerados pelo chip e o resultado da forma de verificação usada, como PIN online ou offline. não estava na mensagem de autorização.
  4. O teclado de senha estava ausente ou quebrado. O terminal híbrido não permitiu que o portador digitasse o PIN.
  5. A compra por aproximação passou do limite de verificação. Mesmo assim, o terminal não conseguia verificar o PIN online ou estava sem o teclado de senha em funcionamento.

Quando todos os requisitos se combinam, o terminal usado na venda impede chip e PIN de proteger a transação. Por isso, a responsabilidade financeira pela fraude sai do emissor e passa para o adquirente e o lojista.

Fonte dos requisitos e das situações técnicas: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Tabela 3 e definições, pp. 607–611; Issuer Chargeback, pp. 616–618.

O 4871 não cobre cartão falsificado, fraude sem cartão presente nem uma transação válida de chip e PIN. Use o 4870 quando o cartão foi falsificado e o 4837 para e-commerce, telefone, correio ou recorrência sem cartão presente. No Brasil, a transferência de responsabilidade doméstica do 4871 vale desde 1º de agosto de 2015, mas transações Mastercard Agro Card emitidas e realizadas no país não podem receber esse código.

Fonte das exclusões e da regra brasileira: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Tabela 3, p. 608, e Transactions Ineligible for Chargeback, pp. 611–613.

Quanto tempo cada parte tem no Mastercard 4871

1 bloco representa 10 dias corridos.

  1. EmissorAbrir o chargeback 4871A contagem começa quando a transação é processada pela Mastercard.
    Até 120 dias corridos
  2. AdquirenteRegistrar a segunda apresentaçãoA contagem começa quando o chargeback é liquidado.
    Até 45 dias corridos
  3. AdquirenteEnviar a documentação de suporte no Mastercom (10 dias para Maestro)A contagem começa quando a segunda apresentação é gerada.
    Até 8 dias corridos
  4. EmissorPedir que a Mastercard decida o casoA contagem começa quando a segunda apresentação do adquirente é liquidada.
    Até 45 dias corridos
Estes são os limites da Mastercard.O prazo interno para o lojista enviar documentos pode ser menor; confirme-o com seu adquirente.Fonte:Mastercard Chargeback Guide, capítulo “Chip Liability Shift-Lost/Stolen/Never Received Issue (NRI) Fraud” — seções “Supporting Documentation”, “Issuer Chargeback — Time frame”, “Acquirer Second Presentment — Time frame” e “Issuer Submission of a Pre-arbitration Case — Time frame” (pp. 615-631)

Quem abre a disputa e o que acontece depois

O emissor abre o chargeback no MastercomÉ o sistema da Mastercard em que o emissor abre a disputa e o adquirente registra a resposta e os documentos.. O lojista não responde diretamente à Mastercard: ele entrega seus registros ao adquirente.

Para abrir o 4871, o emissor precisa apresentar os dois grupos de documentos abaixo:

  1. Uma comprovação da fraude. Basta um dos documentos aceitos: mensagem, carta ou e-mail do portador; certificação escrita do emissor; boletim de ocorrência; ou, em cartão corporativo, reclamação do representante da empresa ou do órgão público. O documento precisa dizer que a transação não foi autorizada e que o cartão foi perdido, roubado ou nunca recebido.
  2. A prioridade das formas de verificação. A lista de CVMCVM significa Cardholder Verification Method. A lista é definida pelo cartão ou emissor e ordena as formas de confirmar o portador, como PIN e assinatura. precisa mostrar que o PIN vinha antes da assinatura.

O Form 0412, preenchido após uma conversa direta com o portador ou representante, pode substituir a declaração, mas não elimina suas próprias condições. Em regra, antes do chargeback, a conta precisa estar encerrada, bloqueada no sistema do emissor e listada para retenção do cartão por até 180 dias ou até seu vencimento. Para cartão emitido na América Latina e Caribe em transação que não seja CAT 2, a Mastercard dispensa apenas essa listagem.

O emissor tem 120 dias corridos a partir do Central Site Business Date da transação para abrir o caso. Depois, o adquirente tem 45 dias corridos a partir da Data de Liquidação ou do Central Site Business Date do chargeback para registrar a segunda apresentaçãoÉ a resposta formal do adquirente ao chargeback no Mastercom, com a rota, o código de motivo e os registros que contestam a cobrança.. Quando a rota exige documentos, eles entram no Mastercom em até oito dias corridos da geração da resposta, ou dez dias para Maestro.

Fonte dos documentos e prazos: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Supporting Documentation e Issuer Chargeback, pp. 615–618; Acquirer Second Presentment, pp. 619–628.

Se o emissor não aceitar a segunda apresentação, a pré-arbitragem é opcional na regra geral, e a Mastercard recomenda seguir diretamente para a arbitragem. Se optar pela pré-arbitragem, o emissor precisa dar dez dias corridos para o adquirente responder. Com ou sem essa etapa, o emissor tem 45 dias corridos a partir da segunda apresentação para levar o caso à arbitragem. Costa Rica e Tanzânia têm exceções próprias; elas não alteram o fluxo de uma transação doméstica brasileira.

Fonte do fluxo: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Issuer Submission of a Pre-arbitration Case, pp. 629–631.

Antes da defesa, confira se esta disputa é inválidaUma única condição comprovada basta para contestar a validade.
  • Houve transação válida de chip com PIN e o DE 55 e os dados relacionados foram enviados na autorização e na primeira apresentação (mensagem 1240).
  • O cartão tinha preferência por PIN online e os dados de PIN foram enviados na autorização, ou o PIN faltou apenas por PIN bypass em terminal híbrido habilitado a PIN.
  • O cartão não era cartão de chip EMV — o código de serviço em DE 35 ou DE 45 não começa com 2 nem com 6; nesse caso o emissor aprova por sua conta e risco.
  • A fraude é de cartão falsificado (código 4870) ou é uma transação sem cartão presente: e-commerce, pedido por correio ou telefone, ou recorrência não presencial (código 4837).
  • O fallback técnico foi corretamente identificado na autorização e na primeira apresentação; ou a transação é de ATM, CAT 2/CAT 3 (fora da exceção de bomba MCC 5542), DSRP, Commercial Payments Account, QR da Mastercard, Mastercard Agro Card no Brasil, Mastercard Biometric Card com autenticação biométrica bem-sucedida ou contactless com CDCVM bem-sucedido ou abaixo do limite de CVM.
  • Limites do FNS: o emissor aprovou a transação depois de já ter aberto dois ou mais chargebacks 4837, 4870 ou 4871 na mesma conta, ou já passou de 35 chargebacks desse tipo na conta.
  • A janela de 120 dias corridos expirou, ou um reembolso já resolveu a compra — o emissor precisa checar antes pelo Trace ID ou TLID.

Fonte:Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 mai 2026), pp. 611-613 — Transactions ineligible for chargeback

Como reduzir o risco desse código

A Mastercard não publica um checklist específico de prevenção para o 4871. As medidas abaixo são consequências práticas das condições que tornam esse chargeback válido:

  1. Processe pelo chip e peça o PIN indicado pelo cartão. Mantenha o leitor de chip e o teclado de senha da maquininha disponíveis e funcionando.
  2. Confirme que os dados do chip percorrem todo o fluxo. O DE 55 precisa chegar à autorização e à primeira apresentaçãoÉ o registro enviado pelo adquirente depois da compra para apresentar a transação à Mastercard e iniciar sua liquidação. quando exigido. Peça ao adquirente ou processador uma forma de recuperar esse registro por transação.
  3. Registre corretamente a falha de leitura. Um fallback técnicoÉ quando a maquininha tenta ler o chip, ocorre uma falha técnica e a compra termina pela tarja ou por digitação. A autorização e a primeira apresentação precisam registrar esse evento. identificado na autorização e na primeira apresentação pode invalidar o 4871. Apenas ignorar o chip ou operar com o teclado quebrado não cria essa defesa.
  4. Guarde o resultado da verificação. O registro deve mostrar se houve PIN online, PIN offline ou outra forma de verificação aceita para aquela rota.

Fonte das condições das quais essas medidas decorrem: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Definitions e Transactions Ineligible for Chargeback, pp. 609–613; Issuer Chargeback, pp. 616–617.

Evidências de defesa que o lojista precisa reunir

Entender minhas evidências

O lojista entrega os registros ao adquirente, que precisa escolher exatamente uma rota de segunda apresentação. As rotas não se somam. Dentro da rota escolhida, porém, todos os itens indicados são obrigatórios.

  1. O DE 55 não estava na primeira apresentação. Esta rota só existe se a transação não exigia autorização online e o DE 55 não constava da mensagem 1240. O adquirente precisa anexar o DE 55 com todos os subelementos obrigatórios e demonstrar uma destas alternativas: chip e PIN; chip em cartão que não priorizava PIN; ou fallback de CVM aceito. A resposta usa CHIP TRANSACTION no DE 72É o campo de texto da segunda apresentação em que o adquirente informa a mensagem prescrita para a rota escolhida. e o motivo 2713.
  2. O DE 55 já estava na primeira apresentação. O registro original precisa mostrar chip e PIN, chip em cartão que não priorizava PIN ou fallback de CVM aceito. A resposta usa DE 55 PREVIOUSLY PROVIDED no DE 72 e o motivo 2713, sem novo documento de suporte. Esta rota não vale quando o DE 55 registra, ao mesmo tempo, que o PIN era exigido e que o teclado estava ausente ou quebrado.
  3. O lojista já fez o reembolso. O adquirente precisa informar a data e o Acquirer Reference Data (ARD)É o identificador criado no processamento da transação. Nesta rota, ele liga o reembolso à compra disputada. do reembolso, usar CRED MMDDYY <ARD> no DE 72 e o motivo 2011. Os três itens são obrigatórios. O reembolso precisa estar documentado na própria segunda apresentação; se for parcial, o restante continua em disputa.
  4. O chargeback é inválido. Basta um fundamento enumerado pela Mastercard, mas o adquirente precisa usar os registros, o texto e o código próprios daquele fundamento. Exemplos: autorização online e código de serviço em DE 35 ou DE 45É o código gravado nos dados da tarja que informa características do cartão. O primeiro valor 2 ou 6 identifica um cartão com chip EMV válido. começando por valor diferente de 2 e de 6; fallback técnico devidamente identificado; corredor sem transferência de responsabilidade; reporte fora do prazo no Fraud and Loss Database; mais de 35 chargebacks de fraude na conta; dois ou mais chargebacks anteriores 4837, 4870 ou 4871 antes da aprovação; prazo vencido; duplicidade; ou documentação ausente, ilegível ou ligada a outro caso.

O DE 55 prova a leitura do chip e o resultado da verificação; ele não prova que o cartão não tinha chip. Para essa alegação, as duas provas precisam aparecer juntas: autorização online e primeiro valor do código de serviço em DE 35 ou DE 45 diferente de 2 e de 6. Recibo assinado, imagem de câmera ou registro isolado do teclado podem apoiar a análise, mas não substituem o DE 55 com o resultado de PIN quando essa é a rota escolhida.

Fonte das quatro rotas e da cardinalidade de cada uma: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition (19 de maio de 2026), Acquirer Second Presentment, pp. 618–628.

Perguntas frequentes

Quando uma disputa recebe o código Mastercard 4871?

O 4871 é a disputa "Chip Liability Shift—Lost/Stolen/Never Received Issue (NRI) Fraud". Todos os requisitos da Mastercard precisam estar presentes: o portador nega a transação e informa que o cartão foi perdido, roubado ou nunca recebido; emissor e adquirente participam da transferência de responsabilidade por chip e PIN; o cartão legítimo prioriza PIN; uma das falhas de terminal previstas ocorreu; e a fraude foi reportada à Mastercard no prazo.

O que muda do 4870 para o 4871?

Os dois códigos tratam da transferência de responsabilidade por chip (EMV). O 4870 envolve cartão falsificado e sua principal defesa técnica prova a leitura do chip. O 4871 envolve cartão genuíno perdido, roubado ou não recebido. Na rota técnica para um cartão que prioriza PIN, o DE 55 precisa registrar o chip e o resultado de CVM com PIN offline ou online. Reembolso e invalidade do chargeback são rotas independentes.

Uma compra online pode receber o código 4871?

Não. O 4871 vale apenas para transação com cartão presente. Fraude em e-commerce, pedido por telefone ou correio e recorrência sem cartão presente vai para o 4837. Transações de ATM, CAT 2/CAT 3, DSRP e QR também ficam de fora. A única exceção é um CAT 2 de bomba de combustível automatizada (MCC 5542) com cartão não recebido, em terminal híbrido sem capacidade de PIN.

Qual é o prazo do adquirente para responder ao 4871?

O adquirente tem 45 dias corridos da Data de Liquidação ou do Central Site Business Date do chargeback para registrar a segunda apresentação no Mastercom. Quando a rota exige documentação de suporte, ela deve ser enviada em até 8 dias corridos (10 para Maestro) da geração da segunda apresentação. Há variações regionais: Costa Rica 10 dias úteis, Cazaquistão 30 dias corridos, Nigéria 2 dias úteis e Tanzânia 20 dias corridos.

Recibo assinado ou imagem de câmera bastam para defender o 4871?

Não na rota de chip e PIN. Nela, a Mastercard exige o DE 55 com os subelementos obrigatórios e o resultado de CVM mostrando PIN offline ou online. Recibo assinado, imagem de câmera e log do pinpad servem como apoio, mas não substituem esse registro. Reembolso e invalidade do chargeback usam provas próprias.

Há pré-arbitragem no fluxo do 4871?

Sim, mas a pré-arbitragem é opcional. A Mastercard recomenda expressamente pular essa etapa e abrir direto o caso de arbitragem. Ela é obrigatória apenas em transação doméstica da Costa Rica e da Tanzânia (não-ATM), e proibida em ATM na Tanzânia. Com ou sem pré-arbitragem, a arbitragem precisa ser aberta em até 45 dias corridos da segunda apresentação.

Veja todos os códigos de chargeback Mastercard ou volte para o Conhecimento.

Primeiro passo

Comece com seu histórico de chargebacks.

A Sparsu usa a base que você já possui para dimensionar a oportunidade, reconhecer padrões e indicar quais dados podem melhorar as próximas decisões.