Analisar meus chargebacks

Reason code Mastercard 4846: erro de moeda e DCC sem consentimento

O código 4846 da Mastercard trata de DCC sem consentimento ou erro na moeda processada. Veja quando é válido, as defesas e os prazos.

O que é o código 4846 e quando ele se aplica

O código 4846, “Correct Transaction Currency Code Not Provided”, trata de erro de moeda no ponto de interaçãoÉ onde o portador faz a compra ou o saque, como a maquininha do lojista ou o caixa eletrônico.. Ele identifica uma conversão feita sem o consentimento do portador ou uma moeda processada incorretamente. Não é uma disputa sobre entrega do produto nem, por si só, uma alegação de fraude.

O emissor, banco que emitiu o cartão, pode abrir o 4846 quando pelo menos uma destas duas condições estiver presente:

  1. Houve DCC sem consentimento. A DCCDCC vem de Dynamic Currency Conversion, ou conversão dinâmica de moeda. Ela permite ao portador escolher entre a moeda local e a moeda de faturamento; aqui, a reclamação é que a conversão ocorreu sem essa escolha. foi aplicada, e o portador declarou que não concordou com a conversão.
  2. A moeda foi processada incorretamente e gerou um débito errado. Isso ocorre se bens, serviços ou dinheiro foram oferecidos na moeda de faturamento do cartãoÉ a moeda em que o cartão foi emitido e na qual a conta do portador é cobrada., o portador concordou com essa moeda, mas a transação foi processada em outra; ou se o valor foi lançado em uma moeda diferente da moeda informada para a compra. Uma conversão exibida apenas como referência não cria essa condição.

Mesmo que uma das condições acima exista, uma única destas exclusões basta para impedir o uso do chargeback:

  1. a reclamação depende apenas de um acordo verbal entre o lojista e o portador sobre a moeda;
  2. a transação é doméstica da China continental;
  3. a transação ocorreu em caixa eletrônico, mas o cartão não foi emitido na Europa ou o caixa não estava localizado na Europa.

O emissor só pode contestar a diferença entre o valor processado e o valor alegado pelo portador. Essa diferença usa a taxa de câmbio da data da transação e não inclui a conversão feita pelo próprio emissor.

O 4846 continua aceito para transações do Dual Message SystemÉ o sistema da Mastercard em que a autorização e a compensação da transação são processadas em mensagens separadas. O 4846 é o código legado de erro de moeda nesse sistema., mas será eliminado no futuro. A Mastercard recomenda usar o código 4834 para a mesma subcondição “Currency Errors”. No sistema de mensagem única, os códigos correspondentes são 34, recomendado, e 46, legado.

Fonte das condições, exclusões, limite do valor e códigos aplicáveis: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, “Currency Errors”, pp. 740–743. Fonte da distinção entre os sistemas: o mesmo guia, “Network Processing”, p. 33.

Quanto tempo cada parte tem no Mastercard 4846

1 bloco representa 10 dias corridos.

  1. EmissorAbrir o chargeback 4846 em transação comum, fora de caixa eletrônicoA contagem começa quando a transação é processada pela Mastercard.
    Até 90 dias corridos
  2. EmissorAbrir o chargeback 4846 em caixa eletrônico intra ou intereuropeu e em MaestroA contagem começa quando a transação é processada pela Mastercard.
    Até 120 dias corridos
  3. AdquirenteEnviar a segunda apresentação com a defesa do lojistaA contagem começa quando o chargeback é liquidado ou processado pela Mastercard, conforme aplicável.
    Até 45 dias corridos
  4. EmissorAbrir a pré-arbitragemA contagem começa quando a segunda apresentação do adquirente é liquidada ou processada pela Mastercard, conforme aplicável.
    Até 30 dias corridos
  5. AdquirenteResponder à pré-arbitragem antes do aceite automáticoA contagem começa quando a pré-arbitragem é enviada no sistema da Mastercard.
    Até 30 dias corridos
  6. EmissorPedir que a Mastercard decida o casoA contagem começa quando o adquirente recusa a pré-arbitragem.
    Até 15 dias corridos
  7. EmissorPedir que a Mastercard decida um caso de caixa eletrônico ou Maestro, onde a pré-arbitragem é opcionalA contagem começa quando o adquirente envia a segunda apresentação.
    Até 45 dias corridos
Estes são os limites da Mastercard.O prazo interno para o lojista enviar documentos pode ser menor; confirme-o com seu adquirente.Fonte:Mastercard Chargeback Guide (Merchant Edition, 19 mai. 2026), “Currency Errors” (pp. 740–751), “Issuer Submission of a Pre-arbitration Case” (pp. 781–785), “Acquirer Response to a Pre-arbitration Case” (pp. 785–787) e “Issuer Submission of an Arbitration Case” (pp. 787–788)

Quem abre a disputa e o que acontece depois

O emissor abre o 4846 depois que o portador relata DCC sem consentimento ou erro na moeda processada. Em qualquer das duas condições, precisa enviar carta, e-mail, mensagem do portador ou um Form 1240É o formulário padronizado da Mastercard para registrar uma reclamação de erro no ponto de interação. Ele deve descrever o problema com detalhe suficiente para que todos entendam a disputa. com a reclamação detalhada.

Quando a alegação é de moeda processada incorretamente, o emissor precisa acrescentar pelo menos um destes três registros:

  1. Extrato do portador. Precisa mostrar a transação contestada.
  2. Declaração do emissor. Precisa informar a moeda de faturamento do cartão.
  3. Recibo da transação. Precisa mostrar o valor total e a moeda. Se o recibo não identificar uma moeda, a Mastercard considera que a compra ocorreu na moeda oficial do local da transação.

Para transações não ATM no Dual Message System, o emissor tem 90 dias corridos a partir da Central Site Business DateÉ a data de processamento registrada pela Mastercard no subcampo 5 do PDS 0158. A regra conta essa data como o dia zero do prazo.. A janela é de 120 dias para ATM intra ou intereuropeu e para transações Maestro.

Ao receber o chargeback, o adquirente, instituição que representa o lojista na rede Mastercard, verifica a reclamação e os registros da venda. Se houver fundamento, envia um second presentmentÉ a resposta formal do adquirente que devolve a transação ao emissor com o fundamento e os registros exigidos pela Mastercard.. Para uma transação brasileira fora das exceções regionais, essa resposta deve ser enviada em até 45 dias corridos da data aplicável do chargeback. O prazo operacional dado pelo adquirente ao lojista pode ser menor.

Se o emissor mantiver a disputa, abre a pré-arbitragemÉ a etapa em que o emissor contesta o second presentment antes de pedir uma decisão vinculante da Mastercard. em até 30 dias. O adquirente também tem 30 dias para responder; se não responder, aceita a responsabilidade financeira. Depois de uma recusa, o emissor pode levar o caso à arbitragem em 15 dias. Para ATM e Maestro, a pré-arbitragem é opcional e a arbitragem pode ser aberta em até 45 dias do second presentment.

Fonte dos documentos e do prazo de abertura: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, “Currency Errors — Issuer Chargeback”, pp. 741–742. Fonte da resposta e das etapas seguintes: o mesmo guia, pp. 743–750 e 781–788.

Antes da defesa, confira se esta disputa é inválidaUma única condição comprovada basta para contestar a validade.
  • A reclamação depende apenas de um acordo verbal sobre a moeda da transação.
  • A transação é doméstica da China continental.
  • A disputa envolve caixa eletrônico, mas o cartão não foi emitido na Europa ou o caixa não estava localizado na Europa.
  • Faltou carta, e-mail, mensagem do portador ou Form 1240 com a reclamação detalhada; no erro de moeda processada, faltou também pelo menos um dos três registros adicionais exigidos.
  • O emissor incluiu mais do que a diferença calculada pela taxa de câmbio da data da transação ou incluiu valor decorrente da própria conversão do emissor.
  • O emissor abriu a disputa depois da janela aplicável: 90 dias corridos no caso geral ou 120 dias para ATM intra ou intereuropeu e Maestro.

Fonte:Mastercard Chargeback Guide (Merchant Edition, 19 mai. 2026), “Currency Errors”, pp. 740–742

Como reduzir o risco desse código

Se o lojista oferece DCC, a escolha precisa pertencer ao portador. A Mastercard exige todos estes cuidados:

  1. Não use a conversão como escolha automática. No comércio eletrônico, uma opção pode vir pré-selecionada apenas se o portador for avisado e puder recusá-la.
  2. Não conduza a escolha. A tela e o atendente não podem pressionar o portador nem destacar uma moeda de forma tendenciosa.
  3. Mostre os dados antes da decisão e da autorização. Informe o direito de escolha, o valor na moeda local, o valor na moeda de faturamento, a taxa de câmbio e qualquer tarifa.
  4. Processe exatamente a moeda escolhida. Se o portador não escolher a moeda de faturamento, a transação precisa seguir na moeda local. A moeda selecionada deve constar no campo técnico da transação.
  5. Entregue um recibo completo. Quando houver DCC, o recibo precisa registrar os valores nas duas moedas, seus códigos, a taxa e os demais dados de conversão exigidos.

Esses controles evitam que a conversão aconteça sem uma decisão clara e ajudam a localizar erros de configuração. Ainda assim, guarde uma distinção importante: se o portador alegar falta de consentimento à DCC, o guia não permite usar logs do terminal ou outro documento pela rota de defesa “Correct Currency”. O recibo ajuda na prevenção e na auditoria, mas não transforma essa rota em uma resposta válida.

Fonte dos controles de DCC: Mastercard Transaction Processing Rules, §3.8 a §3.8.4, pp. 107–110, e §3.13.1, p. 114. Fonte da exclusão da defesa “Correct Currency” em disputa de consentimento: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, p. 743.

Evidências de defesa que o lojista precisa reunir

Esclarecer a moeda cobrada

O adquirente pode enviar o second presentment se pelo menos uma destas quatro rotas estiver completa:

  1. A moeda e o valor foram processados corretamente. O lojista entrega documentação que demonstre os dois fatos e acrescenta uma explicação quando o registro não for claro por si só. Esta rota não vale para China continental nem para uma reclamação de DCC sem consentimento.
  2. O documento do portador parece adulterado ou falsificado. O lojista precisa explicar de modo específico qual trecho foi alterado ou criado e por que os registros do caso sustentam essa conclusão.
  3. O reembolso já foi feito. Esta rota não vale para caixa eletrônico. Se o valor voltou para a conta Mastercard, o adquirente informa a data e o Acquirer Reference Data (ARD)É a referência criada no processamento para identificar uma transação. Na defesa por reembolso, ela liga o valor devolvido ao caso contestado. na mensagem da resposta. Se o reembolso ocorreu por outro meio, precisa anexar prova do pagamento.
  4. O chargeback é inválido. Basta um defeito aplicável: a disputa não cumpre a condição, foi aberta fora do prazo ou em duplicidade, usa referências que não correspondem à primeira apresentação, não trouxe documento obrigatório, ou trouxe documento ilegível, incompleto ou de outra transação.

Não misture as rotas. Um recibo que mostra a moeda correta serve para o primeiro caminho quando a alegação é erro de processamento. Ele não se torna uma condição adicional nem substitui a rota exigida quando a reclamação é DCC sem consentimento. Primeiro identifique qual fundamento a regra permite; depois reúna todos os itens obrigatórios daquele fundamento.

Fonte das quatro rotas e da documentação de cada uma: Mastercard Chargeback Guide, Merchant Edition, “Currency Errors — Acquirer Second Presentment”, pp. 743–750.

Perguntas frequentes

Quando a Mastercard usa o código de chargeback 4846?

O emissor pode usar o 4846 quando ocorreu pelo menos uma de duas situações: uma conversão dinâmica de moeda (DCC) foi aplicada e o portador declara que não consentiu; ou a moeda foi processada incorretamente e isso gerou um débito errado. O 4846 continua aceito no Dual Message System, mas a Mastercard recomenda o 4834 para essa mesma subcondição.

O 4846 contesta toda a compra?

Não. O emissor só pode contestar a diferença entre o valor processado e o valor alegado pelo portador, calculada pela taxa de câmbio da data da transação. A conversão feita pelo próprio emissor fica fora desse cálculo.

Quais documentos o emissor precisa apresentar no 4846?

Em qualquer caso, precisa apresentar carta, e-mail, mensagem do portador ou o Form 1240 com a reclamação detalhada. Quando a alegação é de moeda processada incorretamente, também precisa apresentar pelo menos um destes registros: extrato do portador com a transação, declaração do emissor com a moeda de faturamento ou recibo com valor e moeda.

Um comprovante de escolha da DCC encerra a disputa 4846?

Não pela rota chamada Correct Currency. O guia exclui expressamente essa defesa quando a reclamação é de falta de consentimento à DCC e diz que logs do terminal ou outros documentos não formam um second presentment válido por essa rota. O adquirente precisa verificar se existe outra defesa permitida, como reembolso anterior, documentação adulterada ou chargeback inválido.

Qual é o prazo do 4846?

Para uma transação não ATM no Dual Message System, o emissor tem 90 dias corridos da Central Site Business Date para abrir a disputa. O adquirente normalmente tem 45 dias corridos da data aplicável do chargeback para enviar o second presentment. Transações ATM intra ou intereuropeias e transações Maestro usam a janela de 120 dias para o emissor.

Veja todos os códigos de chargeback Mastercard ou volte para o Conhecimento.

Primeiro passo

Comece com seu histórico de chargebacks.

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